2017 não começa fácil. Uma das fases mais difíceis da minha existência, e não tem nada a ver com emagrecimento. Na verdade, o "engordamento" acabou sendo uma consequência. Mas ao mesmo tempo, o ano me trouxe umas reflexões absurdas, que eu meus 28 anos eu não tinha parado pra pensar ainda. 2017 vai ter que ser diferente, pois pela primeira vez eu to sentindo que se eu não mudar, esse pode ser um dos últimos anos da minha vida.
Estou nessa de querer emagrecer há alguns anos já, e não consigo. Encontrei tudo que eu tinha perdido, todos os quilos, e a frustração só crescia, porque eu ficava imaginando sempre por que eu não conseguia emagrecer, sendo que várias outras pessoas conseguem. Por quê não eu? A vontade sempre existiu, mas por que que a força do fazer-acontecer não vinha junto?? Esse corpo não reflete o que eu sou por dentro, esse corpo não me representa. Isso foi uma coisa que eu sempre soube, mas por que eu não consigo sair desse corpo? Demorou um tempo, mas acho que finalmente sei a resposta.
Eu não me amo. Eu não gosto de mim. Eu não acredito em mim mesma.
Em um ano em que o que mais se fala é em empoderamento feminino, eu percebi que eu dava força para a causa como se eu não estivesse nela. Pra mim, eu não tinha problemas com isso, eu sabia exatamente o que eu era, como eu era e tava bem com isso, pra mim eu sabia exatamente o poder que eu tinha. BULLSHIT.
Desde criança, ouvi pessoas dizendo que eu era super inteligente, que eu pegava as coisas rápido, que eu tenho o raciocínio lógico bom, dentre outras coisas. Mas ao mesmo tempo, e em alguns meios, eu também escutava que eu era "linda de rosto", que eu deveria emagrecer, que eu não iria arranjar namorado se eu não emagrecesse, que comprar roupas pra mim era difícil e que eu só andaria bonitinha se eu emagrecesse. Adivinha qual parte se sobressaiu e me fez quem eu sou hoje? A ruim, é óbvio.
Aos 28 anos, eu não acreditava em tudo que eu era capaz. Que eu SOU capaz. Todos os sonhos que eu sempre tive estavam ao lado da certeza que eu não conseguiria alcançá-los. Junto com o desejo, estava o medo, sempre me parando, sempre vencendo.
Todo mundo tem duas famílias (ok, quase todo mundo). Em uma, eu me via inteligente, dava opniões fortes, falava o que eu pensava sem medir as consequências, e se não dava certo não tinha problema, é vida que segue. Todo mundo se ama, e se respeita. Na outra, eu sou a quieta, a louquinha que pinta o cabelo de colorido, a "normal", sem nada que se destaque. Não dava opiniões fortes pessoalmente, qualquer coisa que fosse mais incisivo era feito via internet, nunca pessoalmente. Mas mais do que como eu regia as reuniões de família, era como eu me sentia quando estava ao redor deles. Não me achando o suficiente, como se eu não pertencesse, como se eu fosse uma estranha.
O pior foi saber que a culpa não era deles, porque eu nem sempre fui assim. Não posso dizer que eu era a estrela da família, até por que um pouco de timidez corre por esse corpitcho aqui, mas me sentir inferior? Nunca.
Foi nessa que fui percebendo que o problema todo não estava no meu corpo, e sim na minha cabeça. O meu corpo que não estava refletindo o que estava na minha cabeça, e que eu só conseguiria emagrecer quando eu percebesse o ser humano maravilhoso que eu sou, e que eu sou forte o suficiente para aguentar qualquer coisa, principalmente que eu sou forte o suficiente para a minha cabeça dominar o meu corpo. Como eu li em Crepúsculo esses dias, "a mente domina a matéria". Brega, eu sei.
Como falei anteriormente, não tá sendo um ano fácil. Minha mãe está em tratamento de um câncer, e a dor dela parece que chega em mim multiplicada por 100. Mas como ser forte pra ela, se eu não for forte pra mim?? É nisso que venho pensando, e é nisso que to trabalhando. Não to pensando em peso no momento, também não to tranquila, até porque nééééé, não é fácil. Mas to pensando em mim, e por isso, todos os dias eu escrevo algo de bom sobre eu mesma no meu mural de recados. Qualquer coisa, até recados raivosos de eu para eu mesma, tipo um deixa de ser trouxa que eu escrevi no começo da semana.
Até então tem dado certo. Daqui a pouco arranjo outro método. O que me ajudar eu estou aceitando.
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